Vou contar-vos a estória dos passarinhos. Defronte da minha casa de aldeia passam uns cabos dos telefones. Em grande parte do ano, quando o clima é mais ameno, um desses cabos é residência de dezenas de passarinhos. Eles entretêm-se por ali, sossegados, horas a fio, praticamente sem se mexerem. De repente, sem que nos apercebamos de qualquer ruído ou de algum movimento, os passarinhos – todos os passarinhos, sem excepção – levantam voo num ápice e partem à procura de outro poiso, algures no horizonte. Um destes dias, certamente numa ocasião de bucólico abandono, dei comigo a pensar que este comportamento dos passarinhos pode ser interpretado como uma parábola à prática dos media. E que quem conseguir fazer com que os passarinhos, perdão os media, levantem voo na sua direcção é um bom assessor mediático.