O cenálio é Áulide, o tempo é o ano 1260 a.C. Os ventos desfavoráveis impedem a armada da força expedicionária grega (na realidade uma mistura de tribos hostis frouxamente unidas sob o comando de Agamémnon) de se lançar ao mar para ir conquistar Tróia. O pretexto é a vingança pelo «rapto» de Helena, mas o que Agamémnon e os chefes tribais como Aquiles e Ulisses de facto querem são os fabulosos tesouros de Tróia.
Os augúrios explicam os ventos contrários pela ira de Zeus e profetizam que somente o sacrifício da filha de Agamémnon, Ifigénia, os poderá inverter. Ulisses é o principal manipulador, explorando cinicamente a profecia para servir os seus objectivos. E Ifigénia, atraída a Áulide por promessas falsas, revela maior coragem moral do que o rei, os seus inimigos ou os cortesãos que apenas procuram vantagens pessoais.
O romance de Barry Unsworth, em que as cadências clássicas se combinam com o humor e uma gíria contemporânea, retoma a história antiga para mostrar como um homem ambicioso e sedento de poder pode distorcer a verdade e criar a ilusão de uma guerra justa. É uma reescrita audaciosa do mito, com uma aguda ressonância contemporânea.