Contar histórias foi então o modo que encontrei para impedir que se quebrasse o encanto do castelo abandonado onde, na infância, fui rei. Não há dia que lá não volte! Ouve-se perto o Cávado com seu rumor de sombra entre os salgueiros os melros quebram de novo a transparência da manhã com suas risadas de cristal e o velho professor lá continua, em pé, junto do quadro sacudindo ainda o pó de estrela. Tudo o que sei vem desse tempo, o tempo em que, ao luar, uma princesa, com seus cabelos de oiro, passeava descalça sob folhagens de outros perdidos laranjais.