“Para Domingos Pinho a pintura é como um corpo sem tempo, reconhecendo-se nele embora o traço da sua historicidade própria. Assim poderá adivinhar num fresco de Giotto ou de Cimabue uma inflexão da cor, da transparência do espaço ou forma do desenho, que se actualiza a seus olhos, depois, numa qualquer obra de Cézanne ou até de um seu contemporâneo. Como arte, para ele a pintura é imemorial, é uma espécie de prática que se auto-suspendeu do restante e corrente tempo, sendo a sua obra reiteração sem jamais a questionar na legitimidade oculta dessa mesma construção. Não porque nela – na sua própria como na alheia – seja incapaz de perceber sobressaltos, transformações de rumo ou de ritmo, inflexões, bruscas às vezes, do caminho.”

Bernardo Pinto de Almeida